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Entrevista – Crianças

Na edição deste sábado, 7, que antecede o Dia das Crianças, 12 de Outubro, O Jornal procurou entrevistar crianças de Batatais, para levarem aos leitores o que elas pensam sobre a vida dos baixinhos, dos altinhos e sobre assuntos diversos… Vamos saber como vivem, o que pensam,
o que gostam e até o que não gostam… Escolhemos duas crianças da mesma faixa etária,
uma delas que estuda em Escola particular e a outra que estuda em Escola pública.
De mundos um pouco diferentes, as duas crianças são igualmente inteligentes, lindas, atenciosas, carinhosas e muito antenadas. Em nome da dupla que escolhemos, homenageamos todas as crianças batataenses. A primeira escolha recaiu sobre LUIZA BIAGI BORGES, 11 anos,
filha de Guilherme Ferraz de Menezes Borges e Letícia Denadai Biagi Borges. Luiza estuda no COC de Batatais, no período da manhã. A segunda escolha recaiu sobre CAUÃ FERRÃO LOPES,
10 anos, filho de Ronaldo Cesar Lopes e Clara Carvalho Ferrão. Cauã estuda na Escola ‘Castelo’
de manhã, e à tarde participa das atividades do Cantinho do Futuro, Entidade cujo trabalho,
no contra turno escolar é reconhecido por todos em Batatais. Com você LUIZA e CAUÃ…

OJ – Vamos começar do básico… que tipo de alimentação você tem?
LUIZA BORGES – Adoro arroz, feijão e ovo, só agora estou começando a comer uma carninha…

OJ – Por que só agora, você tinha dó dos bichinhos?
LB – Quando era pequena eu comia carne normalmente, só que um dia passei mal com carne e aí peguei um pânico, parei de comer, agora que estou voltando a experimentar, mas meu prato favorito é arroz, feijão e ovo… Macarrão só com molho branco, alho e óleo…

OJ – Nada de batatinha frita?
LB – Também como de vez em quando, mas não todo dia.

OJ – Você se importa sobre o que é saudável e o que não é, na alimentação? Na sua casa existe essa preocupação?
LB – Meus pais não pressionam sobre isso. Tem mãe que tem dia certo pra comer isso e aquilo, com meus pais não têm disso, não. Mas quanto mais eu comer coisas saudáveis, pra eles é melhor, claro!

OJ – Doce… Qual seu preferido?
LB – Nutela.

OJ – E você, Cauã, conta um pouco da sua história, do seu dia a dia…
Cauã Lopes – Eu estudo de manhã na Escola Castelo, e à tarde vou pro Cantinho do Futuro. Às segundas-feiras tenho psicóloga, de terça às vezes vou na academia com a minha mãe, e na quarta-feira quanto saio do Cantinho do Futuro vou na aula de dança com minha prima.

OJ – Sua mãe trabalha fora, por isso você vai pro Cantinho à tarde?
CL – Bem, antes eu ficava com minha avó, mas era complicado, porque ela tinha que ir pra casa da mãe dela, em Franca, aí minha mãe resolveu me colocar no Cantinho. Não dava pra ficar muito com minha avó, eu e meus primos brigávamos muito…

OJ – Coisa de criança, né? Hoje já não brigam mais?
CL – Não…

OJ – Qual a diferença entre a Castelo e o Cantinho?
CL – Na Castelo é uma Escola normal, estudamos as matérias normais, o Cantinho é uma Entidade, lá a gente brinca, faz atividades e aprende várias outras coisas novas.

OJ – No Cantinho você tem uma atenção de família, certo? Você sente essa diferença? Existe diferença entre as crianças com quem você convive na Castelo e as crianças do Cantinho?
CL – Sim. Na Castelo tenho mais amigos, tenho uma amiga que estuda na Castelo e também fica no Cantinho, a Maria Julia, então a gente se dá muito bem. Na Castelo sou amigo de todos, mas sou mais amigo dela do que dos outros.

OJ – Você fala ‘amigo’ de uma maneira diferente quando se refere a ela… Você não achou isso também, Luiza?
LB – (risos…). Achei meio suspeito… Melhores amigos…Uhmmm…

OJ – Conta pra gente, Kauã, tem alguma coisa a mais nessa história (risos…).
CL – Não, somos só amigos normais…

OJ – Achei esse ‘não’ bacana, porque a idade que vocês estão é a idade pra se aproveitar isso, porque depois fica jovem, não dá mais pra aproveitar a infância… Aí o jovem quer ficar adulto de uma vez, e não aproveita a juventude… Depois quando a gente fica adulto queremos voltar lá atrás, e aí não tem mais jeito… então a coisa mais bonita que tem é vocês aproveitarem o agora, é ser criança, brincar, ter inocência… Tudo isso vocês têm que aproveitar ao máximo e ainda não pensar em namorar, não pensar além da idade de vocês… Agora mesmo eu estava vendo na internet que saiu uma multa milionária que o Silvio Santos vai ter que pagar porque num programa de TV ele levou a Maísa e o Dudu e constrangeu…
LB – É, o Silvio Santos levou a Maísa e o menino naquela parte do programa que roda e tira os envelopes com as perguntas… aí teve uma hora que o Silvio Santos falou que eles formavam um belo casal… Ela respondeu que não tinha ido lá pra falar sobre essas coisas, e que tinha ido lá pra jogar, e o Silvio Santos respondeu que o jogo tinha sido só uma forma de unir ela e o Dudu.

OJ – Pois é, ela falou que tinha se sentido constrangida, pois tinha acabado de fazer 15 anos e não estava pensando em namorar… É isso que estou dizendo pra vocês agora, quando a gente fala de namoro, fala porque é mania falar… Mania da mãe passar batom na filha; mania de pai colocar o filho no colo, no banco do carro, pra querer ensinar o menino a dirigir. Achei que foi uma boa lição essa do Promotor da Infância vendo que houve constrangimento dela e acho que é uma forma de policiar esse tipo de coisa… a começar dentro de casa mesmo.
Bem, vamos continuar, né? Luiza e Cauã, gostaria que vocês dissessem do que mais gostam de brincar, qual o programa de TV que preferem assistir, digam o que está faltando na TV, na internet, nos jornais, alguma coisa que despertaria mais o interesse de vocês…
CL – Acho que deveria ter mais opções especialmente para as crianças… livros, televisão, internet, tudo isso…Tem muitas crianças que assistem e que acessam o que não devem. Meu primo, por exemplo, assiste o ‘Pânico’, e não pode, pois o programa não foi feito para crianças de 8 anos de idade. Temos que viver a nossa época!!!

OJ – No meu tempo tinha os Flinstones, Tom & Jerry, tinha muito desenho animado pra criança. Coisa inocente… Filme de terror, nem pensar… a gente não via com naturalidade, casei e ainda tinha medo desse tipo de filme, depois, uma vez fui assistir um filme de terror, eu estava grávida, senti muito pavor e percebi que aquela sensação ruim poderia passar para a criança (mesmo ainda dentro da barriga), então resolvi não ver, nem ouvir nada que me faça sofrer… Mas, voltando à pergunta, acham que hoje existe programação própria para crianças??
LB – Então…O que falta, por exemplo, vejo que nessa idade não tem nada que interessa pra gente, na Netflix até tem coisas pra crianças, pra idade da gente, tem uma série que é própria pra minha idade, não essas coisas de filme de terror… mas os outros canais não oferecem muitas opções…

OJ – E no cinema, tem o que vocês querem assistir ou o cinema só pensa nos adultos?
LB – Pra minha idade têm filmes que gostei muito, têm muitos que adoro, mas também têm outros que não gosto.

OJ – Cauã, e as atividades de lazer… de manhã você vai na Escola, depois à tarde no Cantinho, aí chega o final de semana, sábado, domingo… acha que Batatais tem coisas de lazer pras crianças fazerem?
CL – Sim, têm várias coisas, tipo, tem a Piscina lá do CCFB (Centro de Cultura Física de Batatais)…

OJ – Você já foi na Colônia de Férias de lá?
CL – Sim, no ano passado, teve natação, brincadeiras, gincana e várias outras coisas, tudo separado por idade.

OJ – Vocês participam, na Escola ou fora dela, de alguma gincana pra ajudar outras pessoas, pessoas que precisam mais do que a gente?
LB – Na minha Escola tem sim essa ajuda pra outras pessoas. Tempos atrás teve gincana, só que muito pai deu problema, não queria que o filho fizesse as coisas… Mas essa gincana que teve não foi pra ajudar pessoas, foi mesmo só pra divertir, tipo competição. Mas a Escola da minha prima, aqui em Batatais, é a única Escola que ajuda as pessoas, eu até participo, coloco uma camiseta da Escola dela e vamos passando pelas casas para recolher alimentos, são duas equipes, Azul e Amarela, e ganha quem arrecadar mais. Também em várias provas, uma equipe contra a outra… É uma forma de divertir e ajudar as pessoas que precisam.

OJ – Kauã, você sabe que o Cantinho do Futuro é uma entidade, mas você sabe para que as entidades existem?
CL – Acho que é pra ficar com as crianças de pais e mães que trabalham fora e não têm onde deixar os filhos.

OJ – Quantas turmas têm no Cantinho?
CL – Lá tem a turma da manhã e a turma da tarde.A gente tem Oficina de Música, Arte, Informática, Leitura, Artesanato, Dança, Teatro, Recreação e Culinária (aprendemos e até comemos o que a gente mesmo faz). No Cantinho a gente também ganha café da manhã e almoço para as crianças da manhã que vão para a Escola, e pras da tarde que são as crianças que chegam das Escolas e também ganham o lanche da tarde.

OJ – O que você aprendeu na culinária, e o que você mais gosta?
CL – Ah, eu gosto mais é do bolo arco-íris. A professora Ana que ajuda a gente a fazer.

OJ – Você lembra a receita?
CL – Não, mas já fizemos…

OJ – E ficou gostoso?
CL – Sim, ficou uma delícia…

OJ – Como são as festas que acontecem lá no Cantinho?
CL – Em Novembro vamos fazer uma apresentação no Teatro Municipal, são vários eventos que têm no Final do Ano. No Natal a gente vai pra uma área de lazer, vamos de manhã e ficamos o dia todo. Lá têm pessoas que ajudam, que são os que dão as coisas pra gente comer e beber, e também o churrasco, e tem um grupo de amigos que dão presentes pra gente.

OJ – Bem, agora vamos mudar um pouco de assunto… as pessoas pensam que política é coisa de adulto, mas não é, se sabe por quê? Quando o bebê nasce, o que ele faz primeiro?
LB – Chora…

OJ – E por que ele chora? Ele quer o quê?
LB – Mamar?

OJ – Isso mesmo… Então ele já nasce fazendo política… Ele está trocando o choro pelo leite. Ele nasce pensando: “Você me dá de mamar que eu paro de chorar”, e isso é uma forma de fazer política. Cada um dá o que tem e cada um recebe o que não tem. Então as crianças pensam que não participam da política, mas isso não é verdade. Você chega em casa e fala: “Mãe, se você me deixar ir ano cinema hoje, vou estudar dobrado amanhã” Você está fazendo política, não está? Pois é… e agora então vamos falar da política de ‘gente grande’…
O que vocês acham que está acontecendo no mundo, vocês estão vendo uma porção de coisas erradas, que aparecem na TV, na internet, nas emissoras de rádio, nos jornais. Na visão de vocês, que não tem maldade nenhuma, o que acham que está acontecendo de errado?
LB – Penso que os políticos de hoje em dia, Dilma e Lula, e outros, né… invés de ajudar as pessoas que precisam, estão roubando e guardando pra eles, e poderiam ajudar mais pessoas com esse dinheiro, estão pegando nosso dinheiro pra ficar pra eles. Que coisa feia e triste.
CL – É… o dinheiro que eles estão roubando, eles deveriam ajudar as pessoas, trabalhar pra elas, está tendo muita gente sendo mandada embora do trabalho. Gente até passando fome…

OJ – As empresas estão fechando porque os políticos estão ficando com o dinheiro pra eles… Existe uma maneira simples de vocês pensarem… Vamos esquecer que eles roubam, vamos esquecer essa parte, mas existe alguma coisa que nós poderíamos fazer… Por exemplo, dentro da sua casa, o que você acha que está certo e o que está errado? O que vocês gostariam que mudasse? Pra mudar o País devemos começar mudando dentro da nossa casa, no nosso ambiente, então dentro das suas casas têm alguma coisa que vocês gostariam que mudasse?
LB – Na minha casa não tem nada que eu acho que precise ser mudado, pra mim as coisas lá estão certas.

OJ – Em termos de liberdade…
LB – É controlado, não temos liberdade do tipo da mãe deixar fazer tudo, a gente tem que cumprir com nossos compromissos, tipo tarefa, mas também não é daquelas que força a fazer tudo.

OJ – Exatamente isso que eu queria falar… Você tem seus direitos, mas também tem seus deveres. Quando dentro do nosso ambiente, entendemos o que é direito e o que é dever a gente vai crescendo e vai levando isso pra frente… Quais são seus direitos e deveres na sua casa?
CL – Moro só com minha mãe, e em casa existem regras, tanto tempo pra internet, tem que fazer as tarefas e os trabalhos da Escola, e ela fala que ‘primeiro os deveres e depois a diversão’.

OJ – Você arruma seu quarto?
CL – Sim.

OJ – E você, Luisa, arruma?
LB – Hummm… Deixo na mão da Cristina…

OJ – Mas não pode, a Cristina não vai estar ao seu lado a vida toda… Sabe, tenho um filho que está estudando em Portugal, sozinho, ele tem que fazer a comida dele, lavar a roupa dele, então a gente não sabe o que nos espera lá na frente, por isso temos que aprender um pouquinho de tudo e fazer nossa parte, se não der pra arrumar a cama, pelo menos guardar a baguncinha…
LB – Guardar eu guardo, quando tiro a roupa pra tomar banho jogo a suja no cesto, não deixo nada esparramado, diferente do meu pai (risos…), ele joga a toalha molhada em cima da cama, larga a roupa no chão… Hoje mesmo ele foi numa reunião em Franca, com o Prefeito de São Paulo, meu pai não sabia que camisa ia usar, aí tirou uma camisa, depois outra e outra… e deixou tudo na cama…Mas ele também faz muita coisa certa. E me ensina. Minha mãe então… aprendo só coisa boa com ela.

OJ – E você, Cauã, qual a sua parte na sua casa?
CL – Guardo tudo que uso, arrumo os materiais que tenho que levar pra Escola. Minha mãe foi numa reunião da Escola e pediu um roteiro, tipo horário de aulas e atividades pra saber as coisas do dia a dia e aí seguimos essa rotina, eu arrumo as coisas de cada dia…

OJ – Qual a nota mais e alta e qual a nota mais baixa que você tirou esse ano?
CL – Esse ano tirei nota 5 na prova de Geografia, a prova valia 10, eu ia viajar e esqueci de estudar… A nota mais alta foi na prova de Ciência, tirei 10.

OJ – E você, Lu?
LB – A nota mais baixa esse ao foi 5,5, em Ciências, e a maior foi 10, em Português.

OJ – E nas redações, quais os assuntos, têm temas atuais?
LB – Na minha Escola cada bimestre tem livro pra gente ler, uma parte do livro a gente lê em casa e a outra parte na Escola. A professora dá um questionário sobre a parte que a gente leu em casa, e a gente responde, então é aí que ela vai ver se a gente leu mesmo, se a gente não sabe nada ela vai perceber que não leu. Tem também o Quiz que é feito pelo site da Escola.

OJ – Explica pra quem não sabe o que é Quiz…
LB – Você entra no site da Escola e lá tem perguntas que a gente tem que responder, tipo um questionário online. Além disso, pedem pra que a gente sugira uma capa pro livro que lemos, escrever uma história sobre o livro… A gente resume o livro, pode criar personagens, fazer desenhos, isso também ajuda muito nas notas. Desenvolve a inteligência.

OJ – Cauã, qual foi a redação que você mais gostou de fazer? E qual tema você gostaria de escrever?
CL – Gostei de uma sobre história do Brasil, foi na Semana da Pátria, a professora fez um tipo de texto, um roteiro, a gente lia e depois da apresentação ela pediu uma redação sobre o que a gente aprendeu. Teve um menino da minha sala que não conseguiu, ele estudou pra apresentação, mas não leu o roteiro.

OJ – Falamos de política dentro de casa, no Brasil, nos políticos que roubam dinheiro… mas também tem político que faz bem para a população… não podemos achar que todo mundo é igual… Fora isso o que vocês acham que está precisando, por exemplo, aqui na nossa Cidade, o que é preciso fazer para atender mais crianças, ou para ajudar mais as pessoas necessitadas? O que vocês estão vendo e não estão gostando, o que acham que poderia ser diferente?
LB – Acho que poderiam construir mais lugares pros idosos ficar, dar mais atenção as pessoas doentes… Tá acontecendo muitos acidentes por causa dos buracos nas ruas, então acho que têm muitas coisas que eles podiam mudar. Mas acho bom não colocar isso na entrevista, porque meu tio (Wladimir Menezes) é Vereador (risos…)…

OJ – Pra começar tem que ajudar mais as Entidades, não acham?
CL – Sim… Nos Supermercados está tudo mais caro…
LB – Você tá falando mal de mim, da minha família (risos…), no Real as coisas estão baratas…

OJ – A gente tem que pagar tanto imposto que os produtos ficam caros…
CL – O macarrão está num preço bom, tipo R$ 7,00, agora se for ver tem muita coisa custando caro demais…
LB – Se a gente não pagasse tanto imposto os produtos, podiam vender muito mais barato…

OJ – Olha, tá todo mundo falando sobre discriminação, vocês sabem o que é discriminação?
LB – É preconceito, tipo bulling…

OJ – Exatamente, o bulling… Tratar de maneira diferente uma pessoa por causa da cor da pele dela, da religião, ou porque ela tem um problema de saúde, porque tem mais ou menos dinheiro e oportunidades… E ainda têm as escolhas pessoais, que estão sendo muito comentadas… antigamente o menino namorava uma menina, a menina namorava o menino…
CL – Agora tem também menino que namora menino, menina que namora menina…

OJ – Vocês já se depararam com isso na Escola onde estudam, ou no dia a dia, uma menina de mãos dadas com outra… Qual foi a reação de vocês?
LB – No meu caso, tipo assim, as pessoas não podem dizer que duas meninas estão namorando só porque estão de mãos dadas, poder ser uma amizade, coisa assim…

OJ – A gente não pode imaginar uma coisa que…
CL – Que a gente não tem certeza…

OJ – Exatamente, a palavra sua foi mais certa, interpretar da maneira que a gente acha. Qual você acha que é o maior preconceito que existe?
CL – Uma pessoa falar mal da vida da outra! Você tem um pai e uma mãe, eles mandam na sua vida, você pode se tornar o que quiser, fazer o que quiser da sua vida, tipo, não aqui, porque é uma profissão boa ou não… Se numa apresentação você tem que usar roupa de mulher pra fazer um personagem, isso vai te transformar? A gente tem que ser o que a gente é, lutar por isso, não o que as outras pessoas querem que a gente seja.

OJ – Muito bem, Cauã, tenho um exemplo claro disso, estou aqui no jornal, tenho dois filhos e esperava que pelo menos um deles fosse seguir a minha profissão, e quando eu estivesse cansada do O Jornal um deles fosse ficar aqui… Mas um foi embora pra Brasília, trabalha lá no Ministério do Turismo, o outro foi pra Portugal pra estudar Direito… É o que você falou, cada um tem suas próprias vontades, suas escolhas, o que quer ser, o que gosta de ser, e não pode realmente ser pressionado…
CL – Meu primo estava estudando pra ser personal style, aí o irmão dele falou que isso não era coisa de homem. Acho que o que você faz na sua profissão não vai mudar nada o que você é, você vai continuar sendo a mesma pessoa que sempre foi.
LB – Pra mim o maior preconceito que existe é uma pessoa branca prejudicar uma negra. Até apareceu uma novela, Carrossel, a Maria Joaquina discriminava o Cirilo porque ele era moreno.

OJ – A cor da pele não quer dizer nada, é como a roupa que você usa, não muda a pessoa, é só aparência. E uma linda aparência, né? Às vezes ainda paro pra pensar, por exemplo, já vi uma camiseta escrito ‘100% negro’, e a pessoa usa com orgulho. Mas e se eu usar uma camiseta escrito ‘100% branco’, eu estaria discriminando?
CL – Tipo assim, você usa uma camiseta ‘100% negro’, aí as pessoas podem pensar que você está discriminando os brancos… Se você tiver uma amiga negra vai parar de ser amiga dela só por causa da cor? Claro que não. Todo mundo é igual.

OJ – Na visão de vocês todo mundo é igual? Não interessa como a pessoa é, e o que decide ser?
CL- Sim, claro. E devemos respeitar.

OJ – Luiza, o que passou pela sua cabeça quando te convidei para a entrevista, ficou com receio de algo?
LB – Nada, pra mim foi normal. Gosto de conversar, ouvir, falar das minhas ideias…

OJ – E você, Cauã, teve alguma coisa, qualquer coisa que eu pudesse perguntar que você ficou com receio?
CL- Sim… Fiquei com medo de você perguntar alguma coisa que eu não soubesse responder, medo de pagar mico…

OJ – E então, a entrevista ‘doeu’?
CL – Não.

OJ – É assim, entrevista não dói mesmo, mas tem alguma coisa que você tem medo de responder?
CL – Não gostaria de responder sobre minha vida pessoal.

OJ – Você tem irmãos Cauã?
CL – Não.

OJ – Sente falta?
CL – Não.

OJ – Tem algum amiguinho ou amiguinha que está sempre na sua casa, que é como se fosse um irmão?
CL – Sim, a minha amiga Maria Julia, a gente combina de um ir na casa do outro, de vez em quando dormir lá…

OJ – E você, Lu, como foi quando a sua irmãzinha Maria Antonia chegou? Deu trabalho?
LB – Ela ainda dá trabalho, mas eu amo mais que tudo…

OJ – E você ajuda a cuidar?
LB – Mais ou menos… (risos…).

OJ – Qual o momento em que você mais perde a paciência? O que ela faz que te deixa nervosa?
LB – Ela faz birra… Quando eu era pequena acho que não fazia birra, não lembro…
CL – Meu primo quando vai no Supermercado com minha tia, se ele pede uma coisa e ela não compra, ele faz birra. Um dia ele estava querendo duas Nutelas, aí ele ficou insistindo e ela ficou nervosa, falou que se ele não parasse com a birra a hora que chegasse em casa ela ia…

OJ – Existe aquela lei da palmada, que hoje pai, mãe, avó não pode bater, na Escola também tem um jeito certo de corrigir o aluno …
CL – Antigamente as professoras batiam, jogavam apagador. Minha tia conta que um primo meu que estudava em Altinópolis uma vez teve que dar 17 pontos na testa porque a professora jogou um apagador nele.

OJ – Meu Deus, mas o que esse menino fez?
CL – Ele estava conversando… Antigamente as professoras batiam nos alunos, levavam vara de bambu. Tive uma professora que levava uma varinha e quando os alunos conversavam, ela batia na mesa.
LB – Quando eu estava no 2º ano, uma professora comprou um apito, e falou que não ia mais gritar com ninguém e que dali pra frente ai soprar o apito… No começo a gente ficava assustado, mas ela resolveu o problema.

OJ – Então aquela história da mãe da Ritinha da novela ‘A Força do Querer’… dizer “o pau te acha”, não deve existir?
LB – Não é assim que se resolve… é educando!!!
CL – E tem mais, não é só o ‘tapinha’ que doi, tem muita mãe e pai, professores, que não falam direito com os filhos e alunos… têm palavras que também doem…