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Pedro Lázaro Teixeira vai deixar saudades…

Ele se foi, e todos ficamos órfãos…
Durante anos e anos ele foi nosso companheiro aqui em O Jornal, além de sua inspirada e impecável coluna ‘Preto no Branco’, também fez as vezes de revisor do jornal.
Na vida teve dois imensos casos de amor: com a família e com a Cultura. Carinhosamente eu o costumava chamar de ‘almanaque’, se a gente queria saber alguma coisa ligada a História e Cultura, e estava tendo dificuldades de encontrar a informação, ali estava o ‘almanaque’, sempre atencioso e repleto de informações exatas e saborosas.
Para tristeza de todos nós, amigos, companheiros, colegas, ou simplesmente as tantas e tantas pessoas que conviveram com ele, no último dia 2 de Outubro PEDRO LÁZARO TEIXEIRA partiu…
Nascido em Santo Antonio da Alegria em 1938, era esposo de Vânia de Oliveira Teixeira, com quem teve os filhos Pedro, Renata e Rafael, e juntamente com Vânia dividia carinhos e atenções para com os netos Diego, Cauã e Pietro.
Na vida foi, antes de tudo, AMIGO, e datilógrafo, jornalista, bancário, charadista, poeta, escritor, historiador, corinthiano e ainda arranhava um violão com Bossa Nova.
Primou pela honestidade e pelo imenso amor à Cultura. Tinha um senso de organização impecável, seu ‘escritório’ era um exemplo de organização, e nele residiam nas estantes livros e mais livros, e nos documentos de computador, pastas e pastas de textos, informações e variedades, impecavelmente organizadas.
Além do escritório, tinha dentro de casa um ‘local’ especial, no qual se deleitava e descansava, transparecendo sempre seu sorriso sereno, adornado por cabelos negros e o inseparável óculos.
Ao longo da vida se encantou com a máquina de datilografia, pelo walkman, fax, scanner e pelas vídeo chamadas, bem como pela pesquisa por voz na internet. Além de ter uma memória inenarrável.
Apaixonado por leitura, pelo cinema e pela música, principalmente clássica e ópera. Fã de carteirinha de José Saramago, Millor Fernandes, Frank Sinatra, Elvis Presley, Maria Bethânia e Paulo Francis.
Adorava ser solicitado para alguma ajuda para escrever um texto, que fazia sempre de alta qualidade… Passava horas navegando na internet entre mapas, filmes, dicionários e tradutores. Foi o primeiro a cantar rock ao vivo em Batatais num festival, em 1958 na A.B.R. Operária.
Escreveu muitas letras para samba de enredo de Escolas de Samba de Batatais bem como o hino do Batatais Futebol Clube. Foi charadista no jornal O Estado de São Paulo.

A família, o pai, o esposo
Mais que tudo, amava sua esposa com um amor imenso, e não cansava de repetir que ela era a luz de sua vida. Seus filhos sempre foram tudo para ele. Passou a eles um grande amor e muitos ensinamentos durante as longas conversas que tinham. Deixou bem claro a eles a grande confiança que nutria por eles e tinha certeza da vida correta amorosa e religiosa que viveriam. Adorava os três. Eram sua maior alegria e maior presente que sua filha deu a ele. Adorava os três netos e sempre os abençoava quando chegavam e quando iam embora para suas casas.
Tinha um amor indescritível aos familiares e amigos de sua esposa como se fossem seus. Família para ele era tudo e dava a eles o que tinha e o que não tinha. Cuidou de seus pais até seus últimos momentos. Foi um esposo, um pai, um avô, ou seja, um homem dito por sua esposa, que toda pessoa queria ao seu lado.

O cidadão
Pacato, simples, bondoso, atencioso, inteligente, irritado às vezes com o que não concordava. Sempre teve a humildade de se desculpar e até pedir perdão pelos seus erros quando conscientizava deles. Procurou sempre atender a todos que o procurava para desempenhar alguma tarefa.
Sua formação lhe foi dada pelos ensinamentos do Colégio São José, IEESA, Escola de Comércio em Batatais e Escola Moura Lacerda de Ribeirão Preto, onde cursou Administração de Empresas.
Desempenhou com muita dedicação e competência a função de Gerente da Caixa Econômica Estadual. Foi sócio do Lions Clube de Batatais durante trinta e seis anos e grandes tarefas desempenhou até que sua saúde lhe permitiu. Saiu incompreendido por alguns, amados por outros, sem mágoas e feliz de ter colaborado enquanto pode, com seus companheiros sem decepcioná-los e lutando pelos ideais leonísticos.
Teve como endereço sua residência para a Sociedade Batataense de Italiano, por um tempo. Com a Sede, fez parte da primeira turma do Curso de Italiano onde só tirava nota máxima. Estudou também francês e esperanto.
Foi um dos Fundadores da Festa Di San Gennaro e Secretário da primeira Diretoria. Foi homenageado na 25ª Festa. Foi criador da Líra e seu funcionamento e com sua esposa e membros da 1ª Diretoria colaborando na sua organização que hoje está bem modificada e melhorada.

Um Sonho
Participou de um Concurso elaborado pela Diretoria do Batatais F.C., então presidido por José Elídio Campez (Zé Bonitinho), para escrever a letra do Hino do Batatais Futebol Clube. Escreveu a letra e foi o primeiro colocado do concurso. Morreu sem a realização desse grande sonho apesar de ter lutado muito para tal.

O Cuscuzeiro
Sempre dedicou um grande amor a sua terra Natal, Santo Antônio da Alegria, e a todos seus conterrâneos. Tinha uma grande paixão de ser alegriense. Fundou com seu irmão Toninho Torteli o jornal ‘O Cuscuzeiro’. Por muitos anos fez este Jornal com seus colaboradores ilustres o que sempre alegrou todos que o liam no âmbito nacional e internacional. Fez este jornal até que sua saúde o permitiu e ainda hoje existe mas elaborado pelo seu irmão.

Saúde, morte e crença
Em sua vida sempre que perguntado o que gostaria de ser, respondia: “Hoje gostaria de ser uma pessoa no caminho que julgo certo – o caminho para chegar ao local do aprimoramento e do progresso. Mais tarde, gostaria de ser apenas um homem como sou hoje, consciente dos meus deveres e lutador em defesa dos meus direitos. A glória e a fortuna, aspirações passageiras e materiais não atraem tanto quanto o aperfeiçoamento intelectual e espiritual. Gostaria de ser sempre, como agora, um pai dedicado, verdadeiro, amigo, guia de meus filhos e companheiro de minha esposa. Gostaria de deixar para minha família e para os outros homens, um nome – pobre e simples – não importa – mas límpido e honrado”.
Por muitos anos tratou de sua saúde com muita dedicação e ultimamente seguido pelos médicos Dr. Cirano e Dr. Bordini, grandes amigos. Não frequentava regularmente Igrejas. Estudou várias religiões, mas sempre manteve sua base em Deus e seus ensinamentos principalmente depois de ler a Bíblia vagarosamente, um capítulo por dia.
Sempre dizia da garantia de uma vida eterna junto a Deus quem conseguisse lutar para viver o que pedia o ‘Sermão da Montanha’.
Passou suas horas de lazer lendo e escrevendo. Recebeu de Deus o dom de escrever e fazia muito bem. Deixou muitos e muitos escritos maravilhosos. Leu muito, aprendeu muito: “Ler é viajar sem ter que sair do lugar”, dizia ele.
Dominava o idioma como poucos e ensinou muito a todos com a maior facilidade. Por tudo isso sentiremos sua falta, suas lembranças permanecerão para sempre.
Nos últimos momentos do dia 2 de Outubro desligou deste mundo, suavemente como de mãos dadas com Deus caminhando para o outro lado da vida.